Estresse organizacional:

proposição de conceito e instrumento de medida envolvendo características organizacionais

Autores

  • Pricila de Sousa Zarife Universidade Federal de Uberlândia
  • Maria das Graças Torres da Paz Universidade de Brasília (UnB)

DOI:

https://doi.org/10.22567/rep.v13i1.958

Palavras-chave:

estresse, estresse organizacional, características organizacionais, validade do teste

Resumo

A literatura sobre estresse ocupacional é tradicionalmente marcada pelo foco em aspectos da tarefa ou ocupação do trabalhador, negligenciando estressores organizacionais. Este artigo buscou propor um conceito, desenvolver e apresentar evidências de validade de uma escala de estresse envolvendo exclusivamente características organizacionais como potencialmente estressoras. Dois estudos quantitativos foram realizados. No primeiro estudo, a versão inicial da Escala de Estresse Organizacional (EEO) foi submetida a análise de juízes e semântica, totalizando 60 itens. A EEO foi aplicada presencialmente em 454 trabalhadores e submetida a análise fatorial exploratória. No segundo estudo, a versão resultante da EEO foi aplicada presencialmente em 501 trabalhadores e submetida a análise fatorial confirmatória. O primeiro estudo revelou uma estrutura com quatro fatores: decisões organizacionais, suporte, incentivo à competição e entraves ao crescimento profissional, e 32 itens. O segundo estudo indicou um instrumento com 25 itens e os fatores supracitados, apresentando índices satisfatórios de ajuste (χ2/gl=2,95, RMSEA=0,06, TLI=0,91, CFI=0,92 e SRMR=0,04). Os estudos apresentaram resultados promissores, propondo um novo conceito e um instrumento para auxiliar no diagnóstico organizacional e fomentar estudos para promoção de organizações mais saudáveis e produtivas.

Biografia do Autor

Pricila de Sousa Zarife, Universidade Federal de Uberlândia

Doutora e Mestra em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (PPG-PSTO) pela Universidade de Brasília. Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), na área de Psicologia Organizacional. Professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFU. Desenvolve estudos sobre diversidade, inclusão e saúde nas organizações, tendências em RH, desenvolvimento de competências e medidas.

Maria das Graças Torres da Paz, Universidade de Brasília (UnB)

Doutora em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Possui Pós-Doutorado pela Faculdade de Ciências Políticas e Sociologia da Universidade Complutense de Madrid.(2008). Pesquisadora associada da Universidade de Brasília e desenvolve suas atividades de ensino, pesquisa e consultoria em Psicologia organizacional e do trabalho, com ênfase nos seguintes temas: perfil cultural das organizações, poder organizacional, grupal e individual, justiça organizacional e bem-estar pessoal nas organizações, relacionando as variáveis relativas aos temas referenciados com as práticas de gestão organizacionais..

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rganizational-level stressors. Frontiers in Psychology, 10, 2776.

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Publicado

2024-04-01

Como Citar

Zarife, P. de S., & Paz, M. das G. T. da. (2024). Estresse organizacional: : proposição de conceito e instrumento de medida envolvendo características organizacionais. REVISTA ENIAC PESQUISA, 13(1), 120–140. https://doi.org/10.22567/rep.v13i1.958

Edição

Seção

Artigos