ENTRE ESPELHOS E FACHADAS: ESTÉTICA, ARQUITETURA, RAÇA E CLASSE NO BRASIL DE 1950 AOS DIAS ATUAIS
Palavras-chave:
Estética, arquitetura, raça, classeResumo
O artigo propõe uma análise comparativa entre os padrões de beleza humana e os padrões arquitetônicos brasileiros de 1950 aos dias atuais, incluindo as dimensões de raça, classe e desigualdade social. Parte-se da hipótese de que tanto o corpo quanto a cidade são construções simbólicas atravessadas por valores econômicos e ideológicos, e que os padrões estéticos, em ambos os campos, refletem as hierarquias sociais do país. A metodologia envolve pesquisa bibliográfica e análise comparativa de manifestações arquitetônicas, publicitárias e culturais, observando como o ideal de beleza e a forma urbana são usados como instrumentos de distinção e exclusão. Os resultados apontam que, enquanto a arquitetura modernista dos anos 1950 traduzia o sonho de um Brasil racional e branco, os corpos idealizados também seguiam esse paradigma eurocêntrico. Nas décadas seguintes, a massificação da mídia e o avanço tecnológico intensificaram o culto ao corpo e à aparência, marginalizando corpos negros, gordos e periféricos, assim como os espaços urbanos informais foram vistos como “feios” e “impróprios”. Em contrapartida, as periferias produziram uma estética própria, afirmando identidades negras e populares. Conclui-se que estética e arquitetura são expressões de poder, e compreender suas transformações é compreender também a persistência — e a reinvenção — das desigualdades brasileiras.
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